Deus não é um ser.

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Desde pequenos, a maioria de nós, aprende que Deus é um ser que vive no céu e está a nos ajudar, controlar, permitir, omitir, guiar e, principalmente, julgar.


Aprendemos que, se nos comportarmos direitinho, seremos merecedores de todas as bênçãos que ele, O Deus, julgar que somos merecedores e, que caso ele não queira, independente de você ter feito tudo que achava ser certo ele poderá não te dar aquilo que você deseja ou acha que merece.


Somos ensinados a temer este Deus. O Deus que promove, admite e demite pessoas a seu serviço. Que inspira os homens a criar hinos, orações e rituais para o louvar, pedir ou agradecer.


O Deus que espera que confessemos nossos pecados, que espera que nos sintamos culpados e nos arrependamos até pelos nossos pensamentos. E que quer que vigiemos até o fim, não importa as circunstâncias, pois só assim podemos ter alguma chance de chegar um dia até ele, no céu.


E sobre este Deus viver no céu, eu fico impressionada como a maioria das pessoas não entende que isto é totalmente metafórico. Observem que o céu que vemos é um grande espaço vazio, certo? Será que não seria factível pensar que céu foi o termo usado para dar nome ao espaço vazio  no qual vive Deus?


Ora, se Deus vive no céu, e céu é o espaço vazio é o espaço vazio único, integrado, onde está contida toda a criação que envolve galáxias, sistemas solares, buracos negros, estrelas, planetas e toda a sorte de coisas que foram criadas (materializadas) e que sequer conhecemos ou um dia viremos a conhecer.


Se supor que este espaço vazio, chamado céu, não está apenas sobre o planeta terra, que aliás é um pequeno planetinha de infinitésima categoria, dentro de um sistema solar de uma estrela de 5ª grandeza, que faz parte de uma galáxia minúscula... Será que este céu só existe aqui?


Se partirmos da premissa que o céu é onde está contido tudo, como podemos pensar que Deus pode ser um ser que mora em algum lugar neste espaço que chamamos de céu? Se partirmos desta premissa (um ser morando em algum lugar no céu) já partiríamos nessa corrida com a sensação de que ele é injusto, afinal se Deus é o todo poderoso, porque ele não escolheu morar perto de onde eu moro? Seria tipo aquela mãe que tem 5 filhos e escolhe dormir na cama abraçada com um deles em detrimento aos outros quatro.


Mediante a toda esta não explicação entendo que já podemos partir do ponto em que Deus não é um ser específico, ou seja, ele não é um ser individualizado.


Mas então quem é Deus?


DEUS NÃO É UM SER, DEUS É O SER.


Mas qual é a diferença Valéria? Toda, toda, toda, toda... Toda a diferença.


Um ser se trata de alguém, ou seja, alguém que existe, que seja alguém superior, melhor, evoluído, digno de toda honra e toda glória (aposto que você já ouviu isto...). Mas não... Este não é Deus. Deus não pode ser definido por adjetivos. Deus é inclassificável. UM SER é substantivo. Deus não pode ser um substantivo, pois ele não existe enquanto forma. Na prática ele não existe de fato.


Então partimos para O SER enquanto verbo. A coisa mais importante que aprendemos sobre o verbo na escola é que ele imprime  e exprime ação, certo? Deus é O SER, ele é A Existência inteira. Ele nunca foi criado, ele não pode morar em lugar nenhum, mas reside em todos os lugares.


Na verdade pela lógica todos os lugares residem nele. Deus é o que contém tudo que foi criado. Ele criou tudo a partir de si mesmo, quebrou uma existencia única em pequenas partes que continuaram formando o todo. Isto significa que todas as partes fazem parte de um todo maior. A Existência, O Ser, A Ação... Deus.


Lembra da passagem bíblica de João, que no início de seu evangelho diz:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

  

Deus era O Próprio Verbo, ou seja, ele era toda a capacidade de ação que poderia existir e somente com a capacidade de ação é que foi possível a criação. Nesta passagem muitos interpretam que, na criação, já existia Jesus e que Jesus estava com ele no momento do Genesis e por isto Jesus volta mais tarde para dar seu recado.


Embora isto seja assunto para outro texto, posso aqui colocar que Jesus foi apenas, e não apenas, uma pessoa que atingiu a Consciencia Crística. Cristo é um arquétipo que representa o salvador e que de tempos em tempos foi manifestado na terra. Jesus é sua última reconhecida manifestação. Logo, podemos concluir que o que estava com Deus naquele momento era o arquétipo cristico, a consciência, ou seja, a capacidade criadora, O Ser, que já existia e sempre existiu no próprio Deus. Assim como já estavam na intenção criativa de Deus todos os demais arquétipos já manifestados ou ainda não.


Quando vem a parte que Ele criou o homem em sua imagem e semelhança, não era semelhança física minha gente... não entendo como alguém pode ser pretencioso e ingênuo o suficiente para intuir isto. É por causa disto que todo mundo começa a imaginar Deus como um ser, externo ao seu próprio ser, com a imagem física humana sentado em um trono de glória feito de nuvens e com anjos à sua volta tocando harpa e fazendo todas as suas vontades, inclusive mandar mensagens para humanos fazerem coisas específicas que poderiam ser feitas por um simples pensamento de Deus.


Quando o escritor diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança ele quis dizer que Deus nos criou com a mesma capacidade criadora. Com a inspiração da criação e com a capacidade de ação. Não importa se a pessoa é perfeita, se tem todos os membros, se está doente ou saudável, se é cega, surda, muda, se mora em uma região específica. Não importa as características físicas para se ter o poder de ação. Todo mundo tem o poder criador.


Embora muitos de nós não saibamos possuir o poder criador nos dados à imagem e semelhança do criador supremo, não significa que nós não O tenhamos. Muitos de nós, seja por ignorância, preguiça ou simples falta de vontade, transferimos este poder a outro (ou outros) e deixamos nossas vidas serem regidas por simples obra do acaso e de normas vigentes.


Não dar sentido ao seu poder criador é abrir mão da maior capacidade dada por Deus. É abrir mão de ser a imagem e semelhança do criador. Sempre quando deixamos outras pessoas, normas ou regras darem sentido à nossa vida, estamos fazendo isto. Estamos abrindo mão do nosso divino.


Fomos ensinados a buscar Deus, a encontrar Deus em algum lugar ou em algum sentido. Enquanto isto nunca fomos avisados que sempre fizemos parte dele. Sempre fizemos parte deste todo, sempre estivemos com e em Deus.


Quando crianças sabemos disto, mas ao longo da vida, tudo vai nos fazendo esquecer.


Já notou quanta fé tem uma criança? Seu filho nasce dependendo de você pra tudo, comer, beber, suprir seu frio, seu sono, seu calor, até para suas necessidades mais básicas serem atendidas ele depende de você. Mesmo assim E ELE NÃO DUVIDA, UM MINUTO SEQUER, que ele terá tudo que precisa. Já nasce com mecanismos que nos avisam que eles precisam de algo. Nós é que não entendemos de imediato o que é.


Nosso mecanismo, o mecanismo que a criação nos deu, é perdido no decorrer da vida enquanto vamos aprendendo as coisas ditas i"mportantes".

Enquanto aprendemos aquela tonelada de coisas que não nos serve para quase nada, a não ser ensinar para outros, vamos esquecendo o que temos de mais importante: A conexão com Deus, a semelhança com Deus.


Assim vamos nos perdendo dele até que chega um ponto em que começamos a procurá-lo. Seguimos procurando até entender que ele sempre esteve ali dentro de nós. Nós é que tínhamos esquecido o que é O SER.


Até que vamos voltando a entender que Deus é Verbo, nunca substantivo, portanto ele não pode ser encontrado, ele só pode ser sentido.


Que possamos voltar a sentir a ação e o movimento dentro de nós. Que possamos voltar a sentir a inspiração, que possamos voltar a sentir O SER, O Deus, que existe dentro de nós. Que possamos voltar a Ser Um, a ser O Ser.


Com todo o amor dO Ser.
Valéria 
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