O extrato do carnaval

Finalizamos o carnaval. Agora podemos voltar à rotina normal de nação que está precisando, e muito, unir todos os seus esforços para crescer e se desenvolver.


Nestes últimos dias nos deparamos com situações outrora inimagináveis, algumas delas provocando feridas sangrentas nos valores que a sociedade adotara como senso comum. Mas um episódio, especificamente, me fez refletir.


O atual presidente da república postou em seu Twitter a sua crítica relacionada ao que esta festa se tornou. Disse que há muito tempo o carnaval não é mais uma festa e sim um show de baixarias (o texto exato pode ser visto na internet). Ele manifestou sua opinião e anexou um vídeo que demonstrava o motivo do seu repúdio: Uma cena em que um rapaz fazia atos íntimos em público, de um lugar de fácil visualização, enquanto abaixava sua cabeça para que outro rapaz urinasse em seu cabelo.


Depois desta postagem começou o show de discussões. De um lado os defensores da moral,  do outro os defensores da liberdade de expressão e haviam também alguns que, aparentemente, só queriam ver o circo pegar fogo.


Neste ínterim e no pouco tempo em que fiquei envolvida com isto, um comentário me chamou a atenção: Uma pessoa dizia (em suas palavras) que o presidente precisava de tratamento médico e que não deveria ter anexado o vídeo (que realmente era difícil de ver), pois ele alegava que sua filha de 06 anos havia visto o famigerado vídeo.


Neste exato momento me ocorreram duas perguntas:

1 – Porque o presidente decidiu anexar o vídeo quando seria suficiente apenas emitir sua opinião, afinal ele, como qualquer brasileiro, tem direito de se expressar livremente? Seu objetivo era verdadeiramente provocar a discussão ou ele fez isto em um momento de rompante sem fazer muitas considerações sobre onde isto ia chegar?

2 – O pai da menina de 06 anos, que, francamente, não deveria ter deixado a filha visualizar seu Twitter, e como não havia jeito de não entregar o celular para a filha, culpa todos os que divulgam coisas que ele considera inapropriadas?


De um lado vemos um, que se entende por certo, por defender o senso comum, o qual não passa de convenções, costumes e hábitos de pensamentos praticados pela maioria das pessoas que entendidos como “o certo”.

Do outro lado temos outro que, por não ter o filtro de informações e deixar aberta qualquer porta de entrada, prefere julgar errado quem “postou” a despeito de quem “estava vendo”.


Nesse meio temos todos os outros que iniciaram um show de acusações mútuas e discussões para ver quem estava certo. Comentando comentários alheios em defesa de sua opinião que sempre é a certa, mesmo que não agregue nada no citado contexto.


Percebo que não é uma discussão sobre o que pode ser melhorado, sobre o que pode ser implantado para permitir que as crianças sejam influenciadas o mínimo possível de forma a construir seus próprios hábitos de pensamento. É uma briga pura e simples para saber quem tem razão.


Como o mundo seria melhor se as pessoas percebessem que não se tornam certas apenas por apontar os que “são errados”.


O que mais estamos vendo ultimamente são dedos apontados. E como dizia minha avó, enquanto aponto meu indicador para o próximo e o polegar para deus, estou apontando os outros três para meu próprio peito.


As pessoas discutem pelos motivos mais banais possíveis e sempre parecem estar buscando provar a culpa do outro.  O outro sempre está errado, acha errado, opina errado e claro, achamos que a nossa opinião sobre algo é o que deveria estar valendo.


Nestes momentos esquecemos de exercer a empatia e esquecemos da verdade mais básica da existência. Somos indivíduos.


Indivíduos são carregados de experiencias pessoais, influência do meio onde vivem, dos antepassados, do clima, da natureza, dos astros e mais um monte de coisas que sequer conhecemos com nossa tão recente aparição neste vasto universo.


Talvez o não julgar seja exatamente isto... Ter a consciência de que não sei nada da vida de ninguém, e, se não sei nada, como posso achar que aquela pessoa está pensando ou avaliando as coisas de maneira errada.


As discussões sadias proporcionam a evolução, mas deveríamos estar atentos e com capacidade de recuar se percebermos que o outro não está na mesma “vibe” ou talvez não queira levantar aquele assunto naquele momento.


Respeito é tudo. Precisamos exercitar o não julgamento e o amor ao próximo, principalmente respeitando suas escolhas, sejam estas conscientes ou não.


A melhor maneira de nos desenvolvermos neste aspecto é através do autoconhecimento. Por meio dele poderemos identificar se estamos sendo influenciados pelos nossos modelos de pensamento ao lermos ou termos contato com alguma afirmação feita por outra pessoa.


Conclamo as pessoas para começarem a se entender melhor, pois só assim poderão eliminar da equação suas interpretações para analisarem o fato pura e simples e, a partir daí, começar uma discussão sadia de como podemos tornar nossa sociedade e nosso mundo melhor respeitando ao máximo a individualidade e as escolhas das pessoas.


Com amor,

Valéria 

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